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Jean-Noël
Libert
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Um
Pintor em movimento
Nunca nada é imutável. Nem os quadros de Jean-Noël
Libert, este pintor mestre na arte de representar o movimento,
nem a nossa sociedade, cujas controvérsias esta testemunha
pretende denunciar.
Jean-Noël Libert passeou os seus pincéis pelos quatro
cantos do mundo. Será por isso que ele se delicia a pintar
o movimento? As suas personagens nunca estão estáticas.
Sobre as suas telas elas continuam a viver. Os drapeados vibram,
o sorriso alarga-se, a mão desliza. O pintor decompõe
a imagem, convencido de que o momento é inalcançável.
Eu não sou o homem das paisagens ou das naturezas
mortas, adianta ele. Os meus quadros são acima de tudo
o fruto de um encontro, a recordação de momentos
efémeros.
Mas para JNL, a pintura é também, legitimamente,
um media. Um meio de informação lado a lado com
a televisão ou a imprensa. O pintor entende ser uma testemunha
do seu tempo. Ele denuncia o perigo de uniformização
das culturas, o rolo compressor ocidental que esmaga as diferenças
entre civilizações, a banalização
da máquina e do betão.
A nossa sociedade anda demasiado depressa. Nós não
paramos para ouvir o que os outros povos têm para nos dizer.,
lamenta este cidadão do mundo.
Os seus quadros reflectem a confrontação Norte/Sul,
o choque entre tradição e modernidade... JNL troça,
igualmente à sua maneira, a corrida ao progresso. Uma das
suas telas sobre a tourada é, assim, desfigurada por um
longo traço cinzento.
É um fio eléctrico das arenas de Nîmes,
lança ele com ironia. Os outros pintores fá-lo-iam
certamente desaparecer. Mas eu preferi deixa-lo. Eu mostro tudo
o que vejo.
E de há cinquenta anos para cá JNL já viu
muita coisa. De Innsbruck, na Áustria, onde ele nasceu
em 1946, a Montpellier onde ele reside actualmente, o pintor nunca
cessou de viajar para ir ao encontro dos outros.
Após ter completado as Belas Artes de Rennes, ele parte
para a Cracóvia (Polónia) pois obtém um lugar
de professor em Marrocos. Ali permanecerá dez anos. É
época de grandes peripécias no Sahara, na Costa
do Marfim, no Egipto ou ainda no México. É também
tempo das gravuras a preto e branco.
Eu procurava a sobriedade e a força das imagens monocromas.
explica ele.
Mas em consequência de um acidente de mota, JNL permanece
durante dois meses com um dedo imobilizado numa tala. Ele entrega-se
então aos pincéis e descobre a côr. Ele não
a largará mais.
Após uma breve estadia na Argélia, é mutilado
em 1983 na Reunião. Quatro anos mais tarde um acidente
de automóvel crava-o a uma cadeira de rodas. A pintura
ajudá-lo-á a enfrentar, a ultrapassar o choque.
Um ano depois do acidente, ele reencontra a vontade de pintar...
A sua pintura tornou-se mais impulsiva, menos estudada. Eu
experimentava sempre muitas perspectivas antes de começar
uma tela. Agora que tenho menos mobilidade tal não é
possível. O meu trabalho ganhou em espontaneidade....
...De Marrocos a Montpellier, passando pela Argélia e a
Ilha da Reunião, o artista [também] passou a sua
vida a ensinar desenho e a montar projectos com os seus alunos.
Um dos seus mais belos desafios: realizar um fresco de 120 metros
de comprimento num só dia para celebrar o aniversário
da criação da UNESCO. Duas mil lâminas mais
tarde, o desafio era cumprido. Na Reunião, o mural de Saint-Paul
ainda lá está para o testemunhar. Pode dizer-se
que fui eu que introduzi o conceito na ilha., solta o pintor
com um sorriso rasgado.
Logo, não é depois destes anos todos, que ele vai
renunciar a transmitir a sua paixão. JNL tem como projecto
montar ateliers para fazer descobrir a pintura a jovens deficientes.
Tudo falta fazer, encontrar uma sala, material, mas o importante
é lançar o movimento.
Faire Face- Março 1997- número 541 por Francis
Seuret
Diplomas
e Distinções:
1969- Diploma Nacional de Belas Artes de Rennes
1970- Prémio Deglane da Academia de Arquitectura, Paris
1976- Laureado da IV Bienal de Saint-Brieuc
1978- Membro do Júri da V Bienal de Saint-Brieuc
1979- Seleccionado na Exposição Retrospectiva Cinco
Anos de Gravura, 1973-1978 Biblioteca Nacional de Paris
1984- Seleccionado na XX Bienal Internacional de Gravura de Cracóvia
(Polónia)
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